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Em que aspetos a fisioterapia contribui para o bem-estar e para a redução da dor crónica nas doenças reumatológicas?

A dor crónica ou persistente é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes nas patologias reumatológicas, incluindo a artrite reumatoide, espondiloartrites, osteoartrose, lúpus e outras doenças reumáticas músculo-esqueléticas. Embora a inflamação desempenhe um papel importante em muitas destas condições, a experiência de dor é complexa e envolve também alterações no sistema nervoso, emoções, qualidade do sono, fadiga e níveis de atividade física. Por essa razão, o tratamento eficaz da dor vai para além da medicação.

Atualmente, as recomendações da EULAR (European Alliance of Associations for Rheumatology) destacam a fisioterapia e o exercício físico como componentes fundamentais da abordagem não farmacológica das doenças reumatológicas.

 

Menos medo de mexer, mais capacidade para viver 

Durante muitos anos acreditou-se que as articulações dolorosas deveriam ser poupadas. Hoje sabemos que, na maioria dos casos, o movimento adequado é seguro e benéfico.

A evidência científica demonstra que programas de exercício físico supervisionado podem reduzir a intensidade da dor em pessoas com doenças reumatológicas, além de melhorar a função física e a qualidade de vida. Estes benefícios foram observados em diversas condições, incluindo artrite reumatoide, espondiloartrites e osteoartrose.

 

O impacto da inatividade na progressão dos sintomas

A dor leva frequentemente à redução da atividade física. Com o tempo, esta diminuição do movimento pode resultar em perda de força muscular, redução da capacidade cardiovascular, rigidez articular e aumento da incapacidade funcional.

Este fenómeno cria um ciclo difícil de quebrar:

 

 

A fisioterapia ajuda a interromper este ciclo através de programas individualizados de exercício e exposição gradual ao movimento, respeitando os sintomas e as limitações de cada pessoa.

 

O papel da fisioterapia na gestão da fadiga 

A fadiga é um dos sintomas mais incapacitantes nas doenças reumatológicas e pode ter um impacto tão significativo quanto a própria dor.

Atualmente, os estudos concluem que a atividade física e os programas de exercício são eficazes e seguros na redução da fadiga em várias doenças reumáticas inflamatórias. A melhoria da condição física, do sono e da capacidade funcional parecem contribuir positivamente para este efeito.

 

Educação e autogestão: ferramentas para viver melhor com a doença 

A educação do utente é uma componente essencial da gestão da dor crónica ou persistente. Para isso, a fisioterapia pode ajudar que a pessoa compreenda melhor:

  • A natureza da sua condição;
  • O papel do exercício na recuperação;
  • Como gerir períodos de agravamento dos sintomas;
  • Estratégias para manter a atividade física a longo prazo.

 

Uma abordagem centrada na pessoa, não apenas nos sintomas 

Para além dos sintomas físicos, a dor crónica ou persistente está frequentemente associada a fatores emocionais como ansiedade, medo do movimento, perda de confiança. Consequentemente, pode levar a uma diminuição da participação social da pessoa. 

Neste sentido, uma abordagem biopsicossocial é considerada um dos pilares da gestão da dor crónica ou persistente nas doenças reumatológicas.

Ao melhorar a capacidade física e promover experiências positivas de movimento, a fisioterapia pode contribuir para:

  • Aumento da autoconfiança;
  • Redução do medo associado à atividade física;
  • Melhoria da participação social;
  • Maior sensação de controlo sobre a doença.

 

Conclusão

A fisioterapia desempenha um papel fundamental no tratamento da dor crónica ou persistente associada às doenças reumatológicas. Os seus benefícios vão muito além da redução da dor, contribuindo para melhorar a função física, a capacidade para as atividades do dia a dia, a gestão da fadiga, a confiança no movimento e a qualidade de vida.

De acordo com as recomendações mais recentes da EULAR, a atividade física e os programas de exercício individualizados devem ser considerados componentes centrais da abordagem não farmacológica das doenças reumatológicas. O objetivo não é apenas controlar sintomas, mas ajudar cada pessoa a manter-se ativa, funcional e participativa ao longo da vida.

 

Referências

  1. Moseng, T., Vliet Vlieland, T. P. M., Battista, S., et al. (2024). EULAR recommendations for the non-pharmacological core management of hip and knee osteoarthritis: 2023 update. Annals of the Rheumatic Diseases, 83(6), 730–740.
    DOI: https://doi.org/10.1136/ard-2023-225041
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    DOI: https://doi.org/10.1136/rmdopen-2023-003350
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    DOI: https://doi.org/10.1136/ard-2024-226448
  4. Balchin, C., Tan, A. L., Golding, J., et al. (2022). Acute effects of exercise on pain symptoms, clinical inflammatory markers and inflammatory cytokines in people with rheumatoid arthritis: A systematic literature review. Therapeutic Advances in Musculoskeletal Disease, 14.
    DOI: https://doi.org/10.1177/1759720X221114104

Diogo Santos

Fisioterapeuta

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