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	<title>Clínica Flexus</title>
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	<description>Fisioterapia, Medicina, Prevenção</description>
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	<title>Clínica Flexus</title>
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		<title>Porque é que é tão importante avaliar o pé depois de um entorse?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Clínica Flexus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 09:44:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[O entorse do tornozelo é uma das lesões mais frequentes, tanto na prática desportiva como nas atividades do dia a dia. Pode acontecer ao correr, durante um treino, ao descer escadas ou simplesmente ao pisar uma superfície irregular. Apesar de ser uma lesão comum, muitas pessoas continuam a desvalorizá-la, sobretudo quando a dor e o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O <strong>entorse do tornozelo</strong> é uma das lesões mais frequentes, tanto na prática desportiva como nas atividades do dia a dia. Pode acontecer ao correr, durante um treino, ao descer escadas ou simplesmente ao pisar uma superfície irregular. Apesar de ser uma lesão comum, muitas pessoas continuam a desvalorizá-la, sobretudo quando a <strong>dor</strong> e o <strong>inchaço</strong> começam a diminuir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste artigo explicamos porque esta <strong>avaliação em fisioterapia</strong> é tão importante, quais os sinais a que deve estar atento e como a fisioterapia pode ajudar no processo de recuperação.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>O que acontece ao pé depois de um entorse do tornozelo?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Um </span><b>entorse do tornozelo</b><span style="font-weight: 400;"> acontece quando os <strong>ligamentos que estabilizam a articulação</strong> são esticados ou lesionados devido a um movimento brusco, normalmente quando o pé &#8220;vira para dentro&#8221;</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sintomas mais frequentes incluem:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dor no tornozelo</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">inchaço</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">hematoma</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dificuldade em caminhar</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">sensação de instabilidade</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora estes sintomas possam melhorar ao longo dos dias ou semanas, isso não significa necessariamente que o <strong>tornozelo tenha recuperado totalmente</strong>. Depois de um entorse, podem existir alterações como:</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-5842 aligncenter" src="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-10_32_24.jpg" alt="" width="788" height="525" srcset="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-10_32_24.jpg 1536w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-10_32_24-300x200.jpg 300w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-10_32_24-1024x683.jpg 1024w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-10_32_24-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 788px) 100vw, 788px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, mesmo quando os sintomas parecem melhorar, é importante perceber se o pé recuperou realmente a sua função normal.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Porque é tão importante avaliar o pé depois de um entorse?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A <strong>avaliação em fisioterapia</strong> permite perceber não apenas a gravidade da lesão, mas também o impacto que o entorse teve na função do pé e do tornozelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a avaliação são analisados vários aspetos importantes:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">mobilidade articular</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">estabilidade ligamentar</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">força muscular</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">equilíbrio</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">controlo motor</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">padrão de marcha</span></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta análise ajuda a identificar limitações que podem passar despercebidas no dia a dia, mas que continuam a influenciar o movimento e a aumentar o risco de recaída. Quanto mais cedo existir uma <strong>avaliação adequada</strong>, maior a probabilidade de uma <strong>recuperação completa</strong> e sem limitações futuras.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Como pode a fisioterapia ajudar?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">A fisioterapia após entorse do tornozelo não se centra apenas na redução da dor ou do inchaço. O objetivo é restaurar a função completa da articulação, promovendo um regresso seguro às atividades diárias e ao desporto. O acompanhamento pode incluir:</span></p>
<ol>
<li><b>Recuperação da mobilidade: </b>ajuda a restaurar um padrão de movimento eficiente.</li>
<li><b>Reeducação da estabilidade e equilíbrio: </b>ajuda a reduzir o risco de novas lesões.</li>
<li><b>Progressão gradual da carga: </b>o retorno à atividade deve ser progressivo e adaptado à tolerância de cada pessoa.</li>
<li><b>Prevenção de entorses recorrentes: </b>uma abordagem adequada reduz o risco de instabilidade crónica do tornozelo e de novas lesões futuras.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Conclusão</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser uma lesão frequente, o entorse do tornozelo não deve ser ignorado. Mesmo quando a dor diminui, podem persistir alterações importantes na mobilidade, estabilidade e controlo do movimento. </span><span style="font-weight: 400;">Uma <strong>avaliação rigorosa e precoce</strong> é essencial para garantir uma <strong>recuperação completa, prevenir novas lesões e recuperar confiança no movimento</strong>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Clínica FLEXUS, a fisioterapia é orientada de forma individualizada, ajudando cada pessoa a recuperar com segurança e a regressar às suas atividades com maior confiança e controlo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><b>Referências</b></h5>
<p data-start="107" data-end="340">Briet, J. P., Houwert, R. M., Hageman, M. G. J. S., et al. (2016). Factors associated with pain intensity and physical limitations after lateral ankle sprains. <em data-start="267" data-end="279">Injury, 47</em>(11), 2565–2569. <a class="decorated-link cursor-pointer" target="_new" rel="noopener" data-start="296" data-end="340">https://doi.org/10.1016/j.injury.2016.09.016</a></p>
<p data-start="342" data-end="657">Delahunt, E., Bleakley, C. M., Bossard, D. S., et al. (2018). Clinical assessment of acute lateral ankle sprain injuries (ROAST): 2019 consensus statement and recommendations of the International Ankle Consortium. <em data-start="556" data-end="596">British Journal of Sports Medicine, 52</em>(20), 1304–1310. <a class="decorated-link" href="https://doi.org/10.1136/bjsports-2017-098885" target="_new" rel="noopener nofollow" data-start="613" data-end="657">https://doi.org/10.1136/bjsports-2017-098885</a></p>
<p data-start="659" data-end="985">Gribble, P. A., Bleakley, C. M., Caulfield, B. M., et al. (2016). Evidence review for the 2016 International Ankle Consortium consensus statement on the prevalence, impact and long-term consequences of lateral ankle sprains. <em data-start="884" data-end="924">British Journal of Sports Medicine, 50</em>(24), 1496–1505. <a class="decorated-link" href="https://doi.org/10.1136/bjsports-2016-096189" target="_new" rel="noopener nofollow" data-start="941" data-end="985">https://doi.org/10.1136/bjsports-2016-096189</a></p>
<p data-start="987" data-end="1233">McKeon, P. O., &amp; Donovan, L. (2019). A perceptual framework for conservative treatment and rehabilitation of ankle sprains: An evidence-based paradigm shift. <em data-start="1145" data-end="1179">Journal of Athletic Training, 54</em>(6), 656–661. <a class="decorated-link cursor-pointer" target="_new" rel="noopener" data-start="1193" data-end="1233">https://doi.org/10.4085/1062-6050-474-17</a></p>
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		<title>Joelhos “estaladiços”: há motivo para preocupação? Mito ou verdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Clínica Flexus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 08:30:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
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					<description><![CDATA[Os “estalidos” nos joelhos são muito comuns e acontecem frequentemente ao agachar, subir escadas ou durante o exercício físico. Apesar de gerarem preocupação em muitas pessoas, a verdade é que, na maioria dos casos, estes sons não significam que exista uma lesão ou problema grave no joelho. Mas afinal, os joelhos estaladiços são motivo de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Os “estalidos” nos joelhos são muito comuns e acontecem frequentemente ao agachar, subir escadas ou durante o exercício físico. Apesar de gerarem preocupação em muitas pessoas, a verdade é que, na maioria dos casos, estes sons não significam que exista uma lesão ou problema grave no joelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas afinal, os joelhos estaladiços são motivo de preocupação?</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Porque é que o joelho &#8220;estala&#8221;?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda não existe uma explicação totalmente definitiva para a origem destes sons articulares. No entanto, a teoria mais aceite atualmente sugere que os “estalidos” resultam de alterações rápidas de pressão e movimentação de gases dentro da articulação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este fenómeno pode acontecer quando o joelho é levado a determinadas amplitudes de movimento, produzindo o típico “estalo” ou sensação de crepitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora seja comum associar esses sons a desgaste articular, nem sempre existe relação entre os estalos e danos no joelho.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Então os estalos são sempre normais?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem sempre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora muitos estalos sejam benignos, em alguns casos a crepitação pode estar associada a alterações articulares, especialmente quando existe </span><b>artrose avançada do joelho</b><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Nestes casos, além dos sons articulares, é mais comum existirem sintomas associados, como:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dor</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">rigidez</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">inchaço</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">dificuldade no movimento</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">limitação funcional</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou seja, mais importante do que o som em si é perceber se existem sintomas associados e impacto no movimento do dia a dia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Exercício físico e joelhos com estalos: devo parar?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maioria das situações, </span><b>não!</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se os estalos não estiverem associados a dor significativa ou limitação funcional, o exercício físico continua a ser seguro e importante para a saúde do joelho. </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, quando os estalos surgem acompanhados de dor, pode ser necessário </span><b>adaptar temporariamente a carga, intensidade ou tipo de exercício</b><span style="font-weight: 400;">, em vez de parar completamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evitar totalmente o movimento nem sempre é a melhor solução e, em muitos casos, a adaptação adequada permite continuar ativo de forma segura.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Quando deve procurar avaliação?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sons articulares tornam-se mais relevantes quando aparecem acompanhados por sintomas como: </span><span style="font-weight: 400;">dor persistente; </span>inchaço; sensação de bloqueio; instabilidade; limitação do movimento.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nestes casos, uma avaliação em fisioterapia pode ajudar a perceber</span><span style="font-weight: 400;"> o que está a contribuir para os sintomas e orientar o tratamento de forma individualizada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-5832 aligncenter" src="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-09_21_22.jpg" alt="" width="509" height="339" srcset="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-09_21_22.jpg 1536w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-09_21_22-300x200.jpg 300w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-09_21_22-1024x683.jpg 1024w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-09_21_22-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 509px) 100vw, 509px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Conclusão</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maioria dos casos, os joelhos “estaladiços” são um fenómeno benigno e não existem evidências claras de que provoquem danos articulares. </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, quando os estalos surgem acompanhados de dor ou limitação funcional, podem estar associados a alterações articulares, como artrose do joelho, devendo ser avaliados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Clínica FLEXUS, a fisioterapia ajuda a compreender o funcionamento do joelho e a adaptar o movimento e exercício físico às necessidades de cada pessoa, promovendo confiança e segurança no movimento.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h5>Referências<span style="font-weight: 400;"><br />
</span></h5>
<p><span style="font-weight: 400;">Couch, J. L., King, M. G., De Oliveira Silva, D., Whittaker, J. L., Bruder, A. M., Serighelli, F., Kaplan, S., &amp; Culvenor, A. G. (2025). Noisy knees &#8211; knee crepitus prevalence and association with structural pathology: a systematic review and meta-analysis. </span><i><span style="font-weight: 400;">British journal of sports medicine</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">59</span></i><span style="font-weight: 400;">(2), 126–132. </span><a href="https://doi.org/10.1136/bjsports-2024-108866" rel="nofollow noopener" target="_blank"><span style="font-weight: 400;">https://doi.org/10.1136/bjsports-2024-108866</span></a></p>
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		<title>Exercício e dor: o que ainda não lhe disseram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Clínica Flexus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 10:07:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
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					<description><![CDATA[Exercício como “analgésico natural”: mito ou realidade? É comum ouvir que o exercício físico funciona como um “analgésico natural”. A ideia de que mexer o corpo liberta endorfinas e, por isso, reduz a dor está bem enraizada no senso comum e até no discurso clínico. De facto, existe um fenómeno conhecido como hipoalgesia induzida pelo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Exercício como “analgésico natural”: mito ou realidade?</b></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum ouvir que o exercício físico funciona como um “analgésico natural”. A ideia de que mexer o corpo liberta endorfinas e, por isso, reduz a dor está bem enraizada no senso comum e até no discurso clínico. De facto, existe um fenómeno conhecido como </span><b>hipoalgesia induzida pelo exercício</b><span style="font-weight: 400;">, que descreve a diminuição temporária da sensibilidade à dor durante ou após a atividade física. No entanto, a investigação científica mostra que esta resposta não acontece sempre, não é igual em todas as pessoas e, sobretudo, </span><b>não deve ser o principal critério para avaliar o sucesso do exercício em contexto terapêutico</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Hipoalgesia induzida pelo exercício: que fenómeno é este?</b></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A hipoalgesia induzida pelo exercício refere-se a uma diminuição transitória da percepção da dor após um estímulo físico. Este efeito é geralmente avaliado através do aumento do limiar de dor à pressão ou da menor resposta a estímulos dolorosos após o exercício. Importa sublinhar que se trata de um efeito </span><b>agudo e reversível</b><span style="font-weight: 400;">, que pode durar minutos ou, em alguns casos, até cerca de meia hora. Não corresponde a uma correção estrutural dos tecidos nem significa que a “causa” da dor tenha sido resolvida.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li aria-level="1"><b>Exercício e regulação da dor: como, porquê e quando acontece?</b></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Do ponto de vista do corpo, existem várias razões pelas quais o exercício pode ajudar a diminuir a dor. Quando nos movimentamos, o cérebro ativa mecanismos naturais que ajudam a </span><b>“baixar o volume” da dor</b><span style="font-weight: 400;">, controlando a forma como os sinais dolorosos são interpretados. Durante o exercício, o organismo liberta substâncias como as </span><b>endorfinas</b><span style="font-weight: 400;">, a </span><b>serotonina</b><span style="font-weight: 400;"> e a </span><b>noradrenalina</b><span style="font-weight: 400;">, que funcionam como analgésicos naturais e podem reduzir temporariamente a sensação de dor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o exercício regular ajuda a criar um ambiente mais equilibrado no corpo, com </span><b>menos inflamação</b><span style="font-weight: 400;"> e menor sensibilidade dos nervos responsáveis por enviar sinais de dor. Em conjunto, estes efeitos ajudam o corpo a reagir de forma menos intensa aos estímulos dolorosos, tornando a dor mais fácil de gerir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar destes efeitos, a resposta à dor após o exercício </span><b>não é universal</b><span style="font-weight: 400;">. Em pessoas sem dor persistente, a hipoalgesia induzida pelo exercício tende a ocorrer de forma relativamente consistente. No entanto, em pessoas com dor crónica, a resposta é muito mais variável. Estudos mostram que, nestes casos, a redução da dor pode estar diminuída, ausente ou mesmo dar lugar a um aumento da dor após o exercício, gerando o fenómeno inverso. Esta resposta parece estar relacionada com alterações nos mecanismos centrais de modulação da dor, frequentemente associadas à sensibilização do sistema nervoso.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li aria-level="1"><b>Podemos esperar sempre alívio imediato?</b></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que surge um erro frequente na prática clínica: </span><b>prescrever exercício com a expectativa explícita de alívio da dor imediato</b><span style="font-weight: 400;">. Quando o exercício é apresentado como algo que “deveria tirar a dor”, cria-se uma expectativa que nem sempre será cumprida. Para o utente, isso pode traduzir-se em frustração, insegurança e medo de se mexer. Para o fisioterapeuta, pode levar à conclusão errada de que o exercício não é adequado, quando na realidade o corpo pode estar a adaptar-se de outras formas relevantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O valor terapêutico do exercício vai muito além da redução imediata da dor. O exercício atua como um estímulo para </span><b>reeducar o sistema nervoso</b><span style="font-weight: 400;">, melhorar a tolerância ao movimento e reduzir a perceção de ameaça associada à atividade física/movimento. Mesmo quando a dor não diminui logo — ou oscila ao longo do processo — o exercício pode contribuir para melhorias graduais na função, na confiança corporal e na capacidade de lidar com a dor no dia a dia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-5808 aligncenter" src="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-13_05_2026-12_12_16.jpg" alt="" width="588" height="392" srcset="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-13_05_2026-12_12_16.jpg 1536w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-13_05_2026-12_12_16-300x200.jpg 300w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-13_05_2026-12_12_16-1024x683.jpg 1024w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-13_05_2026-12_12_16-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<ul>
<li aria-level="1"><b>“Eu vivo com dor”: O que significa isto para mim?</b></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem vive com dor, isto significa compreender que sentir algum desconforto durante ou após o exercício não equivale automaticamente a lesão ou agravamento do problema. A dor é uma experiência complexa, influenciada por fatores físicos, emocionais e contextuais, e nem sempre reflete dano nos tecidos. O corpo precisa de exposição gradual ao movimento para reaprender que mexer-se não é perigoso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em síntese, a hipoalgesia induzida pelo exercício é um fenómeno real e bem documentado, mas </span><b>não deve ser encarada como um objetivo obrigatório</b><span style="font-weight: 400;">. O exercício não é um botão para desligar a dor. É, acima de tudo, uma ferramenta poderosa para ajudar o sistema nervoso a tornar-se menos protetor e mais adaptável ao longo do tempo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Lesnak, J. B., &amp; Sluka, K. A. (2020). Mechanism of exercise-induced analgesia: what we can learn from physically active animals. <i>Pain reports</i>, <i>5</i>(5), e850. https://doi.org/10.1097/PR9.0000000000000850</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Rice, D., Nijs, J., Kosek, E., Wideman, T., Hasenbring, M. I., Koltyn, K., Graven-Nielsen, T., &amp; Polli, A. (2019). Exercise-Induced Hypoalgesia in Pain-Free and Chronic Pain Populations: State of the Art and Future Directions. <i>The journal of pain</i>, <i>20</i>(11), 1249–1266. https://doi.org/10.1016/j.jpain.2019.03.005</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Sluka, K. A., Frey-Law, L., &amp; Hoeger Bement, M. (2018). Exercise-induced pain and analgesia? Underlying mechanisms and clinical translation. <i>Pain</i>, <i>159 Suppl 1</i>(Suppl 1), S91–S97. https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000001235</li>
</ul>
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		<title>Reabilitação da tendinopatia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mois&#233;s Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 17:24:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
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					<description><![CDATA[A tendinopatia é uma condição clínica comum e pode estar associada a limitações significativas das atividades diárias, como levantar um objeto ou vestir uma camisa. Pode também limitar a atividade laboral ou desportiva, tanto a nível profissional como amador. Neste artigo iremos ajudar-te a entender a condição, bem como o papel da fisioterapia no processo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tendinopatia é uma condição clínica comum e pode estar associada a limitações significativas das atividades diárias, como levantar um objeto ou vestir uma camisa. Pode também limitar a atividade laboral ou desportiva, tanto a nível profissional como amador. Neste artigo iremos ajudar-te a entender a condição, bem como o papel da fisioterapia no processo de reabilitação da mesma.</p>
<h4>O que é a tendinopatia?</h4>
<p>Afinal, o que é uma tendinopatia? É apenas outro termo para tendinite? A resposta é não!</p>
<p>A <strong>tendinite</strong> refere-se à inflamação do tendão (estrutura que conecta o músculo ao osso). Por sua vez, a <strong>tendinopatia</strong> está ligada à sobrecarga repetitiva do tendão e à recuperação insuficiente. Estudos mais recentes salientam os fatores psicossociais como contribuintes para a tendinopatia, para além dos fatores mecânicos.</p>
<p>É, portanto, uma condição musculoesquelética complexa e multifatorial que afeta tanto indivíduos ativos quanto sedentários, causando dor localizada, redução da capacidade para desempenhar as tarefas do dia a dia e diminuição da tolerância ao exercício.</p>
<h4>Qual é o papel da fisioterapia nesta condição?</h4>
<p>Pode a fisioterapia ajudar a tratar uma tendinopatia? <strong>Sim</strong>, uma vez que a exposição gradual ao exercício, bem como a gestão da carga são das principais recomendações para o tratamento desta condição.</p>
<p>A reabilitação depende de diversos fatores, tais como a região anatómica afetada, a ocupação e níveis de atividade física do indivíduo, bem como a presença de outras condições de saúde e fatores psicossociais, entre outros.</p>
<p>É importante salientar que não existe uma “receita” ou exercícios perfeitos. Cada reabilitação deve considerar a individualidade de cada pessoa para ir ao encontro dos seus objetivos e necessidades específicas. Mas, de forma genérica, a reabilitação procura melhorar a capacidade do tendão e do músculo de suportarem carga para além de abordar crenças e comportamentos relacionados com a dor.</p>
<h4>Reabilitação</h4>
<p><strong>Não sabes por onde começar a reabilitação?</strong></p>
<p>O tendão é uma estrutura capaz de suportar uma carga elevada. Portanto, é importante não subvalorizar a sua capacidade ao longo do processo de reabilitação. Por outro lado, é importante respeitar a sintomatologia (dor ou outros sinais inflamatórios).</p>
<p>Para uma reabilitação adequada sugerimos <strong>4 fases</strong>, iniciando pela mais básica e progredindo para a mais complexa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-5828 aligncenter" src="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-08_55_47.jpg" alt="" width="774" height="414" srcset="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-08_55_47.jpg 1715w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-08_55_47-300x160.jpg 300w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-08_55_47-1024x548.jpg 1024w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-08_55_47-768x411.jpg 768w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/05/ChatGPT-Image-27_05_2026-08_55_47-1536x821.jpg 1536w" sizes="(max-width: 774px) 100vw, 774px" /></p>
<h4></h4>
<h4>Como saber se a carga é demasiada?</h4>
<p>Tendencialmente, a dor no teu tendão melhora com a atividade e piora no dia seguinte.</p>
<p>Frequentemente, surge a seguinte dúvida: <strong>“É suposto sentir dor durante o exercício?”</strong></p>
<p>Para responder a essa pergunta, considera a seguinte escala numérica de <strong>0</strong> (sem dor) a <strong>10</strong> (dor máxima):</p>
<p><!-- Escala de dor responsiva --></p>
<div style="width: 100%; margin: 20px 0; font-family: Arial, sans-serif; font-weight: 600;">
<div style="display: flex; flex-wrap: wrap; border-radius: 8px; overflow: hidden;">
<div style="flex: 1 1 100%; padding: 18px; text-align: center; background: #2ecc40;">
<div style="font-size: 20px;">0–3</div>
<div style="font-size: 18px;">Zona segura</div>
</div>
<div style="flex: 1 1 100%; padding: 18px; text-align: center; background: #d4d42a;">
<div style="font-size: 20px;">4–5</div>
<div style="font-size: 18px;">Aceitável</div>
</div>
<div style="flex: 1 1 100%; padding: 18px; text-align: center; background: #e3342f; color: #fff;">
<div style="font-size: 20px;">6–10</div>
<div style="font-size: 18px;">Excessivo</div>
</div>
</div>
</div>
<p><strong>Idealmente, procura trabalhar dentro da zona segura</strong> (dor de 0 a 3 em 10).</p>
<p><strong>Fica atento aos sintomas 24–48h após a carga!</strong> Se os sintomas (dor e/ou rigidez) se agravam consideravelmente no dia seguinte à sessão de exercício e não voltam aos valores basais de dor (intensidade habitual), provavelmente a intensidade do exercício clínico foi demasiado alta.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Se tens dor ou limitações nas tuas tarefas diárias, atividade laboral ou desportiva, procura um fisioterapeuta. Tratar uma tendinopatia é um processo complexo, individual e apresenta altos e baixos. Manter o foco e consistência será um fator chave para a tua recuperação.</p>
<p>A reabilitação deve ser concluída de acordo com os teus objetivos específicos. Para decidir o plano mais adequado para ti, conta com a nossa ajuda!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Referências</h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Cooper, K., Barton, C. J., Briggs, A. M., Callaghan, M. J., Rathleff, M. S., Tucker, K., &amp; Malliaras, P. (2023). Exercise therapy for tendinopathy: A mixed-methods evidence synthesis exploring feasibility, acceptability and effectiveness. Health Technology Assessment, 27(58), 1–232. https://doi.org/10.3310/HTA27580</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cook, J. L., &amp; Purdam, C. R. (2013). The challenge of managing tendinopathy in competing athletes. British Journal of Sports Medicine, 48(7), 506–509. https://doi.org/10.1136/bjsports-2012-091961</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cook, J. L., &amp; Purdam, C. R. (2009). Is tendon pathology a continuum? A pathology model to explain the clinical presentation of load-induced tendinopathy. British Journal of Sports Medicine, 43(6), 409–416. https://doi.org/10.1136/bjsm.2008.051193</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Silbernagel, K. G., Hanlon, S., &amp; Sprague, A. (2020). Current clinical concepts: Conservative management of Achilles tendinopathy. Journal of Athletic Training, 55(5), 438–447. https://doi.org/10.4085/1062-6050-356-19</span></p>
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		<title>Radiculopatia Cervical: o que diz a ciência e por que a fisioterapia personalizada é hoje a melhor escolha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mois&#233;s Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Feb 2026 17:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fisioterapia]]></category>
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					<description><![CDATA[A dor cervical, no geral, representa um problema de saúde global de grande relevância. A revisão epidemiológica de Kazeminasab et al. (2022) revelou que a prevalência mundial atingiu 27 casos por 1000 pessoas em 2019, com maior incidência entre os 45 e os 74 anos e maior prevalência no sexo feminino. O impacto económico é [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A dor cervical, no geral, representa um problema de saúde global de grande relevância. A revisão epidemiológica de Kazeminasab et al. (2022) revelou que a prevalência mundial atingiu <strong>27 casos por 1000 pessoas</strong> em 2019, com maior incidência entre os <strong>45 e os 74 anos</strong> e maior prevalência no <strong>sexo feminino</strong>. O impacto económico é também substancial: nos Estados Unidos, a dor cervical e lombar representaram cerca de <strong>134,5 mil milhões</strong> de dólares em gastos de saúde em 2016, e <strong>milhões de dias de trabalho perdidos</strong> (Dieleman et al., 2020 cit. em Kazeminasab et al., 2022). Estes números demonstram que estamos perante uma condição que combina elevada frequência, incapacidade e custos sociais e económicos significativos.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que é e quais os sintomas?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>radiculopatia cervical</strong> &#8211; muitas vezes descrita como “um nervo comprimido no pescoço” &#8211; é uma causa frequente de dor irradiada para o braço. Os seus sintomas podem incluir <strong>dormência, formigueiro, fraqueza</strong> e uma <strong>sensação de choque elétrico</strong> ao longo do trajeto do nervo. Apesar de ser uma condição dolorosa e incapacitante, os estudos mostram-nos que, na maioria dos casos, o <strong>prognóstico é favorável</strong> e que a <strong>fisioterapia</strong> desempenha um papel fundamental no processo de recuperação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Causas</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Esta condição é normalmente associada a alterações estruturais como hérnias discais, alterações degenerativas, estenose foraminal – entenda-se por estreitamento dos pequenos orifícios laterais das vértebras cervicais -, ou inflamação. </p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="754" height="500" class="wp-image-5642" src="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.jpg" alt="" srcset="https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/02/image.jpg 754w, https://clinicaflexus.pt/wp-content/uploads/2026/02/image-300x199.jpg 300w" sizes="(max-width: 754px) 100vw, 754px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a literatura atual demonstra que a sua origem é multifatorial. Isto é, fatores biológicos, psicológicos e ocupacionais influenciam tanto o aparecimento como a persistência da dor (Kazeminasab et al, 2022). </p>



<figure class="wp-block-table">
<table class="has-fixed-layout">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><strong>Fatores biológicos</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>Fatores psicológicos</strong></td>
<td style="text-align: center;"><strong>Fatores ocupacionais</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>
<p>Idade</p>
<p>Doenças auto-imunes</p>
<p>Espondilose</p>
<p>Predisposição genética</p>
<p>Alterações Músculo-esqueléticas</p>
</td>
<td>
<p>Stress</p>
<p>Ansiedade</p>
<p>Depressão</p>
<p>Pensamentos negativos sobre a dor</p>
<p>Baixa auto-eficácia</p>
</td>
<td>
<p>Posturas mantidas</p>
<p>Trabalho prolongado ao computador</p>
<p>Elevada carga laboral</p>
<p>Baixo suporte organizacional</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</figure>



<h3 class="wp-block-heading"><code>Diagnóstico</code></h3>



<p class="wp-block-paragraph">Também no <strong>diagnóstico</strong>, a ciência tem evoluído. Sleijser-Koehorst et al. (2021) demonstraram que nenhum teste isolado é capaz de confirmar a presença de radiculopatia cervical. O diagnóstico deve resultar da <strong>combinação de vários elementos</strong>: </p>



<ul class="wp-block-list">
<li>História clínica detalhada &#8211; padrões de dor, fatores que agravam ou aliviam, sintomas e presença de dormência;</li>



<li>Testes físicos &#8211; teste de Spurling, avaliação de força, reflexos e testes neurodinâmicos; </li>



<li>Exames complementares de diagnóstico, quando necessários. </li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Curiosamente, características como dor no braço mais intensa do que no pescoço, presença de parestesias e alívio ao elevar o braço aumentam a probabilidade de diagnóstico, enquanto a ausência de dormência tende a reduzi-la. Este conjunto de informações reforça a importância do raciocínio clínico do fisioterapeuta na avaliação.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Como tratar?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto ao <strong>tratamento</strong>, a evidência é clara: a maior parte dos casos melhora <strong>sem recurso à cirurgia</strong>. A revisão de Peene et al. (2023) mostra que 70% a 95% dos pacientes recuperam com tratamento conservador, sendo a <strong>fisioterapia</strong> — sobretudo quando integrada numa abordagem ativa — o <strong>pilar central dessa recuperação</strong>. As melhorias podem surgir nas primeiras semanas, mas o processo completo pode prolongar-se até <strong>2 ou 3 anos</strong>, o que destaca a importância de estratégias de longo prazo e acompanhamento contínuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os estudos demonstram que a cirurgia pode proporcionar um alívio mais rápido de alguns sinais neurológicos, mas essa vantagem diminuiu com o passar dos meses. Posto isto, a <strong>fisioterapia</strong> destaca-se pela <strong>segurança</strong>, <strong>ausência de eventos adversos</strong> e potencial para ser <strong>mais custo-efetiva</strong>, ainda que sejam necessários mais estudos económicos. Mais especificamente, a intervenção em fisioterapia combina diferentes modalidades: exercícios (de mobilidade, força e controlo motor), técnicas de mobilização articular e neurodinâmica, treino de ergonomia, estratégias de gestão de stress e educação. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Naturalmente, existem situações em que intervenções adicionais podem ser consideradas. Injeções epidurais podem servir como auxílio a curto prazo em casos de dor intensa que impede o progresso na reabilitação. A cirurgia, embora eficaz em casos selecionados, deve ser reservada para situações de défice neurológico progressivo, dor incapacitante persistente após tratamento conservador adequado ou sinais de mielopatia. Excluindo esses cenários, a <strong>fisioterapia personalizada deve ser o tratamento de primeira linha</strong> (Klein Heerenbrink et al., 2024).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Notas finais</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Quando olhamos para o conhecimento disponível e actual, a mensagem é clara: a radiculopatia cervical não deve ser encarada como uma condição que exige passividade do utente ou recurso precoce à cirurgia. Pelo contrário, é uma condição com prognóstico muito favorável quando abordada de forma ativa, personalizada e baseada na melhor evidência científica. A fisioterapia destaca-se hoje como a abordagem mais eficaz, segura e sustentável, promovendo não apenas a diminuição da dor, mas também a recuperação funcional, a autonomia e a prevenção de recidivas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 class="wp-block-heading">Referências</h3>
<ul>
<li>Kazeminasab, S., Nejadghaderi, S. A., Amiri, P., Pourfathi, H., Araj-Khodaei, M., Sullman, M. J. M., Kolahi, A. A., &amp; Safiri, S. (2022). Neck pain: global epidemiology, trends and risk factors. <i>BMC musculoskeletal disorders</i>, <i>23</i>(1), 26. https://doi.org/10.1186/s12891-021-04957-4</li>
<li>Klein Heerenbrink, S., Coenen, P., Coppieters, M. W., van Dongen, J. M., Vleggeert-Lankamp, C. L. A., Rooker, S., Ter Meulen, B. C., Bosboom, J. L. W., Bouma, G. J., Lutke Schipholt, I. J., Sleijser-Koehorst, M. L. S., de Vries, R., Ostelo, R. W. J. G., &amp; Scholten-Peeters, G. G. M. (2024). (Cost-)effectiveness of personalised multimodal physiotherapy compared to surgery in patients with cervical radiculopathy: A systematic review. <i>Journal of evaluation in clinical practice</i>, <i>30</i>(7), 1227–1238. https://doi.org/10.1111/jep.14036</li>
<li>Peene, L., Cohen, S. P., Brouwer, B., James, R., Wolff, A., Van Boxem, K., &amp; Van Zundert, J. (2023). 2. Cervical radicular pain. <i>Pain practice : the official journal of World Institute of Pain</i>, <i>23</i>(7), 800–817. https://doi.org/10.1111/papr.13252</li>
<li>Sleijser-Koehorst, M. L. S., Coppieters, M. W., Epping, R., Rooker, S., Verhagen, A. P., &amp; Scholten-Peeters, G. G. M. (2021). Diagnostic accuracy of patient interview items and clinical tests for cervical radiculopathy. <i>Physiotherapy</i>, <i>111</i>, 74–82. https://doi.org/10.1016/j.physio.2020.07.007</li>
</ul>
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